Palavras roubadas

“Mas entre o repórter e a desordem da terra de sombras, há uma muralha: homens com capacetes, portando escudos. O repórter fala com gravidade; coquestéismolotov balasdeplástico baixasentreospoliciais canhõesdeágua saques, limitando-se, evidentemente, aos fatos. Mas a câmera vê aquilo que ele não menciona. Uma câmera é uma coisa que pode ser quebrada ou roubada com facilidade; sua fragilidade a torna exigente. Uma câmera exige lei, ordem, uma fila de policiais uniformizados. Procurando se preservar, ela se mantém atrás da muralha de escudos, observando a terra de sombras de longe e, é claro, de cima: ou seja, ela escolhe um lado”.

* apaixonada pel’Os Versos Satânicos, Salman Rushdie.

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