Ponta-cabeça

Publicado 28 28UTC abril 28UTC 2011 por brunabez
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Hoje aprendi que “revolução”  é um conceito roubado da matemática. E que, matematicamente falando, tem-se uma revolução quando uma figura geométrica gira até ficar de ponta-cabeça. A gente acha que sabe tanta coisa – aí vem alguém e ensina uma coisa tão bonita dessas.

Pois bem, que venha a minha pequena revolução. Que é luta, mas que é também felicidade. A espera cansa.

Ela tem vontade de se apaixonar

Publicado 24 24UTC fevereiro 24UTC 2011 por brunabez
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porque toda vez que vê uma letra de música bonita, já imagina uma carta de amor.

2011 (porque certos clichês, mesmo bregas, são úteis)

Publicado 3 03UTC janeiro 03UTC 2011 por brunabez
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O frio na barriga do novo e do desconhecido – e do medo, que dói um pouquinho (mas até ele é bom).  A esperança que teima em existir, que eu preciso que exista. Recomeçar… (Re)começar. Sim, isso soa bem.

Olha, sinceramente,

Publicado 23 23UTC dezembro 23UTC 2010 por brunabez
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estagiário só se ferra.

As mentiras da infância

Publicado 3 03UTC dezembro 03UTC 2010 por brunabez
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Às favas com o bicho-papão e o Papai Noel. As piores mentiras que te contam quando você é criança são sobre você mesmo. “Olha que menino lindo, a cara do pai!”, “Mas ela é muito inteligente, nem parece ter a idade que tem!”, “Filho, essa é sua irmã 16 anos mais velha, não é sua mãe”. Porque nessas é muito, mas muito mais difícil de deixar de acreditar.

Medo de ficar velha ou O limbo

Publicado 3 03UTC dezembro 03UTC 2010 por brunabez
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Descobri, às vésperas do meu último aniversário, o meu medo de ficar velha – que eu julgava inexistente.

É que de repente 21 anos pareceram muito tempo.

(ou talvez seja a agonia de me ver na situação em que estou na idade em que me encontro)

“que maldade”

Publicado 18 18UTC agosto 18UTC 2010 por brunabez
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O caso é que hoje eu tava andando na rua e vi essa mulher, mendiga, segurando um papelão sobre o qual estava uma menina com uns 4, 5 anos, difícil saber. Aí eu pensei que ela ia puxar o papelão aí eu pensei que a menina ia cair aí eu pensei “que maldade”. E continuei andando. E ela puxou. Não o suficiente pra a pequena cair, só pra que o papel deslizasse no chão. Ela riu, a mulher também. Eu, provavelmente, fiquei vermelha.

punch

Publicado 27 27UTC junho 27UTC 2010 por brunabez
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Era uma velhinha bem branquinha, dos cabelos ao brinco de pérolas. Dava comida aos pombos enquanto tricotava e, de vez em quando, cumprimentava um ou outro que passava pela pracinha do bairro. Fazia biscoitos como ninguém.

Lembrava com riqueza de detalhes os 65 anos em que passara casada – e traíra seu marido todos os dias até o dia em que ele descobriu (teve um enfarto e morreu).

Era um executivo bem-sucedido, paletó-gravata-camisa-sapato-pasta. Escritório com foto da esposa e das crianças, decorado pelo arquiteto da moda. Negociador implacável, sabia o nome de cada um de seus funcionários.

Ficava além do horário no trabalho todos os dias – e cheirava cocaína em sua sala (apelido carinhoso nos lugares certos: aspirador).

Era uma cientista respeitada, conhecida no mundo inteiro. Seu currículo demoraria, pelo menos, 10 dias pra ser lido por completo. Resolvia equações complicadíssimas e cheias de incógnitas sem pestanejar.

Vivia cercada de homens brilhantes – não se sentia à vontade fazendo sexo com um deles (e por isso o encanador, o porteiro, o garoto de programa).

Era um rapaz irrepreensível. Ia à igreja aos domingos, fazia faculdade de direito e falava fluentemente 4 línguas e arranhava uma quinta. Não jogava lixo nas ruas e ajudava cegos a atravessarem a rua. Um futuro promissor e um bom partido.

Respeitava o fato d’a namorada querer casar virgem – e engravidou a filha da empregada (viajou pra Europa e nunca mais a viu).

Era uma jovem juíza. Batalhou muito pra chegar onde estava, era justa e querida por todos, um exemplo. A segurança dos cidadãos de bem e o terror dos malfeitores da cidade.

Punha a carreira como prioridade em sua vida – já tinha feito dois abortos (e faria quantos mais fosse necessários).

Era um lutador de boxe. Ganhou vários torneios e medalhas. Todos ficavam impressionados com a rapidez com que ele descobria o ponto fraco dos adversários. Já perdeu uns 4 ou 7 dentes, mas isso são ossos do ofício.

Observava cada detalhe do adversário – e mal se controlava quando tocava o corpo dele (o ringue era único lugar em que ele se permitia agarrar outro homem).

Era um padre muito querido pela paróquia. Mantinha uma creche, rezava missas nas casas dos mais pobres, deixava de comer para dar comida aos necessitados. Ajudava as mães, empregava os pais, colocava as crianças na escola.

Amava seus paroquianos – e tinha um caso com a mulher de um deles (a quem amava particularmente e disso todos sabiam).

cotidiano

Publicado 27 27UTC junho 27UTC 2010 por brunabez
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Ela vem pra cama achando que não fez barulho quando tropeçou na mesinha e derrubou as chaves. Tira a roupa, sai jogando tudo pelo caminho pra o banheiro, fecha a porta. Quando ela abre, sinto cheiro de sabonete, creme e pasta de dente. Talvez por pensar que eu tou dormindo, senta na beirada da cama e fica olhando pra mim com um sorriso besta na cara. Dou um susto nela – “Porra, Abelardo, tu sabe que eu detesto essas coisas!” e faz careta (mas se sente culpada por ter me acordado). Se joga na cama e eu me aproximo pra dar um beijo nela, o gosto é de pasta de dente – e cigarro. Eu pergunto “você fumou?” e ela diz “claro que não”. Insisto e ela nega. Pergunto mais uma vez, nós dois rimos. “Tem certeza?”, falo só pra encher o saco, e ela conta como o chefe dela tratou ela mal. E começa a chorar. “TPM?” eu arrisco; ela me dá um tapa. Fico só olhando, de longe, sem saber o que fazer. “Me abraça, retardado” – ainda bem que ela é muito clara. Fico com os braços ao redor dela até sentir que ela dormiu (e que eles estão dormentes). Sinto uma coisa engraçada no estômago quando penso que poderia matar o filho duma puta do chefe dela, bastava ela pedir. Aí eu viro pro outro lado e volto a dormir.

desafiada

Publicado 20 20UTC junho 20UTC 2010 por brunabez
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Eu fui desafiada há um tempo atrás. Pouco mais de um mês, pra ser mais exata. De início por falta de tempo e depois por ter esquecido (he), acabei não respondendo. A parte engraçada disso é que, quando comecei a ler no blog de Álisson os termos do desafio, fui fazendo o que era pedido sem saber que era uma das indicadas e por isso vou responder aqui como eu responderia na época. Então aqui vai a minha resposta ao desafio:

“That is what I like; that is what a young man ought to be. Whatever be his pursuits, his eagerness in them should know no moderation, and leave him no sense of fatigue”.

Aqui vai uma (tentativa tosca de) tradução, feita por mim:

“É disso que gosto; é o que um rapaz deveria ser. Quaisquer que sejam suas atividades, seu afã por elas não deve ter moderação nem deixá-lo sentindo-se fatigado”.

O livro é “Sense and Sensibility” (“Razão e Sensibilidade”), Jane Austen.

Enfim, eu tardo mas não falho. Taí o desafio respondido. Quanto às indicações, prefiro não fazer.


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